Velho, mau meu, como diziam no baba do Conjunto dos Bancários.

Não esqueci do Purga, mas esqueci do meu dia. O dia não teve cara de dia, a segunda não teve cara de segunda. Depois dela não esperei uma terça; minha cabeça era só sábados.

Mudar de cidade foi tão fácil dessa vez. Não houve grandes expectativas. Simplesmente vim e fiz parte.

Então, respondendo sua pergunta, não, não foi a dificuldade da mudança, mas uma sua extrema facilidade que me fez esquecer. De repente, estive tão confortável no mundo que parecia não haver mais desafios, coisas que eu podia não tirar de letra.

Dessa vez não contestei nem procurei sentido em tudo que essa mudança de cidade e de vida traz. Fui prático. Tão prático que nem percebi o quanto. Foi instinto, diria um amigo meu.

De sobrevivência, talvez.

É, este acaba sendo um segundo texto sobre o mesmo assunto, sobre a falta de assunto. Mas não é intencional.

É um lampejo que seduz, este: lampejo de uma vida média. E se…

Melhor não prosseguir por aí.

Para não dizer que não toquei no assunto, eis uma diferença entre uma cidade milenar e uma de que é difícil dizer a idade (corpo e alma não batem): é uma sensação de que a presença do passado gera e completa o presente que se tem em mãos – o que a gente sente em Paris -, enquanto que, em São Paulo, o “agora” é uma palavra é escorregadia; quem não viu o sol pela manhã, há de esperar pelo outro dia.

Diego Damasceno escreve às terças

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