é duro
andar com uma dor
atada ao peito

andar com uma dor
feito andor
de romaria
seus mil pedidos
de salvação

dor que não é
de dente
doente
nem dor de crente
xô-já-passou

dor deselegante
quebrando o verbo
de itamar assumpção

dor mergulhada
no concreto forjada

seca folha afiada
que enquanto corta
o nada
do alto ao chão
acerta a virilha
faz mancar o compasso
do coração

Carmezim escreve às quartas-feiras