Sim, claro que era impressionante sua educação
– sentada ali junto aos adultos,
falando quase aos cochichos com a madrinha,
pedindo por favor e com licença a todo tempo-,
mas não foi isso o que me chamou a atenção;

E de fato, eram curiosas as histórias contadas pela tia:
de como a sobrinha, desde os seis anos,
ia sozinha ao colégio, inclusive sob neve;
de que parava nos cruzamentos
e mesmo que não viesse nenhum carro
não se movia até que o sinal de pedestres ficasse verde
(na Espanha, nas férias, repreendia os adultos que descumpriam a lei);

Nem mesmo o fato daquela garota não ser suíça,
mesmo tendo nascido e vivido todos os seus dez anos no país
[coisas da legislação de lá, explicava a tia],
foi o que me marcou daquele encontro;

Para mim, da tarde de café, museu e passeio
a imagem que ficou,
gravada na retina,
indelével
é o enorme vazio,
de compadecer brutos e calejados,
que havia no olhar daquela criatura

Ricardo Viel escreve às segundas

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