Para além das todas razões e percalços que explicam o acanhado desempenho do Brasil nos Jogos Olímpicos, eu como torcedor não me permito jamais complacência nenhuma: quando assisto a qualquer disputa em que o Brasil esteja envolvido, meu negócio é ganhar medalha. E que não me venham com negócio de bronze; prata tanto menos: quero é medalha de ouro.

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Na falta, revolta e frustração entretanto não me bastam – pois são sentimentos que aviltam o espírito – e ademais desmotivantes, portanto indesejáveis. Contra elas, o remédio é concluir, com galhofa no olhar, que a derrota, em sendo o fator que mais se repete nas contendas de que participamos, é, na realidade, nosso objetivo olímpico. E então encho os ouvidos de minha irmã de parodias de comentário esportivo baseado na seguinte lógica: a meta do Brasil no esporte é 1) participar das competições pelo máximo de tempo possível (ou seja, vencer as primeiras fases, para se classificar para as finais); 2) dar esperanças de medalha ao torcedor, para prender-lhe a audiência e manter-lhe aceso o espírito olímpico; e 3) por fim, perder sem levar metal nenhum. De maneira que ir longe e ficar sem medalha (no quarto lugar) é a glória maior do esporte olímpico brasileiro. Em não sendo possível a eliminação, partimos desesperadamente para a conquista do bronze. Se não der, a prata é ruim, mas ainda assim melhor do que o abjeto ouro. Assistir aos jogos assim – experimentem nos próximos – traz mais felicidade.

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Mas aí me pergunto: até quando dependerei de minha própria tolice para continuar assistindo, animado e esperançoso, ao Brasil competindo em Olimpíadas? Arrenego de quem diz que a solução é investir na base, no esporte nas escolas, em patrocínios mais robustos, em políticas de Estado voltadas para a obtenção de resultados. Balela: planejar e investir de maneira racional e organizada no que quer que seja não é a cara do nosso país. Além do mais, essas são medidas que, mesmo que fossem tomadas agora, ainda assim levariam anos para dar frutos dourados. Apostar nesse discurso significa assumirmos de antemão que nossa performance em casa, no Rio-2016, será um retumbante fracasso.

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Resta-nos, pois, uma medida, fácil e barata, a única possível entre todas as emergenciais. Mande-se pintar de vermelho o retângulo, ou o losango, ou o lábaro estrelado, ou a faixa branca, ou as letras pretas, ou uma das estrelinhas que seja de nossa bandeira. Pois há vermelho nas bandeiras dos quinze maiores vencedores de medalhas nestes jogos. E dos 21 países à frente do Brasil na tabela, apenas três não têm nada de rubro no estandarte. Imitemos quem está à nossa frente.

Ricardo Sangiovanni escreve aos domingos

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