A beleza da revolta no Chile vai muito além da argola de prata e do par de olhos claros de Camila Callejo. Liderança do movimento, ela é o melhor retrato dos protestos que mobilizam há meses o país andino: como é bonita a luta dos estudantes por uma educação pública e de qualidade.

Essa é, nos tempos de uma América Latina com democracias em consolidação, a verdadeira revolução. Exigir, pacificamente, com graça e dureza, uma formação educacional plural, crítica, reflexiva e pública.

Não para que seja de graça – “de graça nem o pão nem a cachaça”. Mas porque é o Estado, neste nosso modelo político, o ente capaz de moderar as diferenças sociais e propiciar uma igualdade de oportunidades para todos.

O Leviatã.

Mas será esse o modelo de Estado ideal para os dias de hoje? Derivamos.

O governo chileno reage sem elegância, com força e com polícia, quando os estudantes merecem é espaço, ouvidos, e, porque não, poder de decisão.

Manuel Gutiérrez Reinoso, o estudante de 16 anos morto num dos protestos porque passava no local, será mais um mártir.

Por que produzi-los?

A reação é inversamente proporcional à ação: feia e burra.

E o Brasil?

É preciso olhar bem para a realidade, se destacar da roda-viva da vida e perceber que embarcamos num caminho coletivamente inviável com esse modelo educacional.

O ‘Inverno do Chile’ precisa descer dos Andes.

Na Bahia, um grupo de país jornalistas, cineastas, donas-de-casa e etc resolveu ajudar a escola pública em Lauro de Freitas. Matricularam seus filhos e contribuem com a formação de todos com aulas, oficinas, participação. É a escola comunitária. É um modelo local.

É possível fazer. Precisamos reagir. Com beleza, arte, criatividade e, sobretudo, com boa vontade de melhorar a minha, a sua, a vida de todos.

Vítor Rocha escreve aos sábados

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