As duas últimas semanas não foram boas, mas, curiosamente, me peguei olhando para trás e pescando uma série de bons momentos, boas conversas, horas mortas cheias de utilidade emocional.

Um deles foi reler um dos quadrinhos da série “A Pior Banda do Mundo”, de José Carlos Fernandes, que acho que posso dizer serem meus quadrinhos prediletos na vida até então. Adiei o quanto pude esta escolha, mas já não posso negá-la.

A Pior Banda do Mundo é uma das coisas que me orgulho de ter conhecido sozinha, encontrado fortuitamente em uma livraria (somente o número 4 e o 5), buscado os outros até conseguí-los, mostrado para amigos – alguns deles se tornaram fãs como eu, outros não demonstraram muito interesse.

E esta era a parte do texto em que eu deveria explicar a vocês algo sobre a série, mas não encontro as palavras. Não por ser algo muito sublime. Percebo agora que nunca soube explicá-la muito bem. É sobre uma péssima banda de jazz, mas não é só isso. Sobre uma cidade melancólica, sobre personagens solitários, sobre neuroses do mundo, sobre utopias, ruínas e o encanto das coisas obsoletas, sobre a nostalgia do não vivido, sobre ideias cretinas aceitas com entusiasmo, sobre nefelibatas incorrigíveis (eis uma palavra ótima que o autor me ensinou).

Desde que a conheci, sinto que perdi mais uma chance de criar algo incrível sobre estes mesmos temas. Reconheço, em alguns dos meus textos, uma alusão a José Carlos Fernandes, uma cópia, um pequeno plágio emocional que seja.

Conhecer A Pior Banda do Mundo, possuí-la, gostar dela, não me faz sentir necessariamente especial entre meus pares. Em teoria, no meio de tanta gente que já conhece tantas coisas, este poderia ser a minha arma secreta.

Mas me sinto um pouco sozinha, na verdade, porque gostaria de poder falar a respeito com mais pessoas que também tenham tido o mesmo encontro e a mesma perda, que reconheçam em si o mesmo plágio emocional de J.C.F em textos, em sentimentos e em semanas ruins.

Nesta última semana, depois de tentar converter o querido Ricardo Sangiovanni a lê-las, peguei na estante o terceiro volume, as Ruínas de Babel.

Na tentativa de catequizá-los, segue o último episódio do volume:

Cliquem nas imagens para ampliá-las e depois cliquem novamente para conseguir ler melhor.

 

Camilla Costa escreve às quintas-feiras, mas está aqui, excepcionalmente, neste domingo.

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