Vamos fazer um trato: eu não vou escrever um texto pretensamente poético sobre essa foto e vocês vão, de fato, prestar atenção nela por alguns minutos.

Não a escolhi só porque não tinha muito sobre o que escrever hoje, mas também porque me emocionou e não saiu da minha cabeça. E é bonita, não é? E me cortou o coração.

As posições em que os dois soldados estão, a fragilidade deles, o conforto que um tenta dar ao outro. Acho que nunca vi uma foto de guerra assim. Sempre a imaginei, mas nunca a vi.

Nos filmes de guerra ninguém recebe colo. Os homens até choram, vá lá, é a guerra, afinal. Mas ninguém ganha um abraço como este.

Algo engraçado aconteceu quando colocava esta foto aqui no blog, depois de salvá-la de um Tumblr. O WordPress recuperou as informações inseridas no arquivo da imagem (coisa que eu nunca olho e que a maioria das pessoas já não usa) e saiu isso aqui:

“A grief stricken American infantryman whose buddy has been killed in action is comforted by another soldier. In the background a corpsman methodically fills out casualty tags, Haktong-ni area, Korea.  August 28, 1950.  Sfc. Al Chang. (Army)”

Mas esse não é só um abraço de conforto por causa do choque da morte, não para mim.

Quando olho para esta foto, acho que é o abraço que todo mundo quer receber quando sente que o mundo, as coisas, a vida, são grandes demais para dar conta. Eu o reconheço.

Camilla Costa escreve às quintas-feiras

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