Déjà vu, eu os tenho. Com maior ou menor frequência dependendo da época. É contraditório (já que não acredito em destino e não posso conceber que há alguém ou uma força superior que já determinou o que deve acontecer), mas sinto como se eu estivesse no caminho certo quando vivo um “já visto”.

Entrar em um lugar que nunca estive e reconhecê-lo; adivinhar um diálogo que ainda não teve início ou prever o acontecimento de algo antes que ocorra. Passar por essas situações é prazeroso pra mim, me sinto um passo à frente dos demais mortais, como se aquilo fosse um sinal para seguir em frente.

Mas então vem a sensação incômoda. Quando acontece um déjà vu me coloco alerta à espera de um acontecimento transcendente na minha vida. Nada mais lógico, se devo estar naquele lugar naquela hora é porque alguma coisa importante vai passar. Só que, normalmente, nada relevante ocorre. Então, para que serve um déjà vu?

Procurei a explicação científica do fenômeno. Nosso cérebro, como qualquer computador, às vezes falha. O bug faz com você pense que já viveu uma situação que é, na verdade, inédita. Explica, mas (pelo menos a mim) não convence.

Na semana passada aconteceu de novo. A mesma sensação de já estive neste lugar vivendo esta situação. Outra vez à espera de algo que justificasse minha presença ali. De novo a frustração.

Fiquei a semana toda pensando no significado de tudo isso e decidi mudar de atitude. Declarei guerra.

Quando acontecer novamente um “já visto” comigo, vou desafiá-lo. Se eu entrar em um lugar que nunca estive e o reconhecer, irei embora imediatamente. Se houver um diálogo que sinto que já presenciei ou participei, vou interrompê-lo abruptamente com uma frase totalmente fora do contexto. Quero dar um bug no déjà vu, confundi-lo como ele me confunde. Comigo não, violão! Vai pregar peça na tua avó!

*Ricardo Viel escreve às segundas

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