Uma mistura de três substâncias sintéticas foi injetada na veia daquele negro de óculos largos, cara de 42 anos inofensivos, às 11:08 da noite de quarta-feira, na Georgia, Estados Unidos.

A injeção da mentira, ou, ao menos, da dúvida, executou Troy Davis por um crime cometido há 20 anos que não se sabe se foi realmente cometido por ele.

Mas a morte de um policial branco, quando trabalhava de segurança para uma loja, fez o negro deitar na cama fria da morte mesmo sem nenhuma certeza de sua responsabilidade.

Num dos seus julgamentos de clemência, dois dias antes do cumprimento da sentença sumária, dois dos cinco votos foram a favor do perdão.

Como matar sob a dúvida da culpa?

Como bem escreveu o El País, é possível livrar alguém da prisão, não do túmulo.

Davis foi identificado por nove testemunhas como o assassino. Mas descobriu-se que o responsável pelas investigações conduziu a sessão de reconhecimento e incitou as testemunhas a indicarem o suspeito que, para ele, já era o culpado.

Sete das nove testemunhas voltaram atrás e admitiram poder estar equivocadas.

De nada adiantou.

Davis já tinha percorrido o caminho da cela para o calabouço letal três vezes, e voltado para a vida minutos antes da morte.

Ninguém tem certeza do que aconteceu naquela noite em que Mark McPhail tombou com um tiro na cabeça, só a família da vítima, cega por justiça.

Depois de morto, vale a pena investigar se Troy Davis é mais um dos oito cidadãos já executados pelo governo norte-americano que foram declarados inocentes após pagarem com a própria vida pela culpa alheia?

Vítor Rocha escreve aos sábados

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