Ela faz de tudo para que Mr Dowe diga o que ela própria gostaria de dizer. Velho problema dos maus jornalistas.

Mas esse senhor, negro, da periferia londrina, não se arreda.

Totalmente inserido na “insurreição inglesa”, chega a uma conclusão que nenhum analista de ar condicionado foi capaz (ou não quis) desenvolver.

São vândalos aqueles manifestantes? Vá dizer isso ao “velho das Índias Ocidentais”…

“Se você olhar os jovens negros, os jovens brancos, e prestar atenção no que eles estão dizendo…”.

Na semana passada falamos disso.

Mr Dowe é um gênio, pode não ser um catedrático, mas entende a realidade na qual está inserido com muito lucidez.

Ou com muita pele?

Ouve o filho e o neto, viu os dois, negros, sofrerem na mão da polícia. Defende o sistema democrático sem usar esse termo, sem teorias. A compreensão está no que vive, no que sente.

Nada de maniqueísmo.

Nada de a polícia “estourar a cabeça” de um negro (mais um mártir anônimo, fosse ele de qualquer cor).

Um dia a coisa estoura. Nada de cabeças.

Vítor Rocha escreve aos sábados

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