Quando morre um poeta, as palavras fazem o quê? Entram em greve?

Porque o poeta é o autor das férias das palavras.

Palavras trabalham muito, e é sempre bom conhecer gente nova.

Lugares novos também. Engraçado como em lugares novos a gente se descobre diferente, mesmo quando achava que já era tudo que era capaz de ser. Ou ainda: que era tudo que queria ser, do ser mesmo ao sonho de ser.

Me parece que o poeta pega a palavra e mostra que o sonho de ser pode virar o ser em si; talvez o poeta pergunte à palavra o que ela sonha ser e lhe dê essa oportunidade. Talvez ele mesmo sonhe que a palavra pode dar um salto e lhe sirva de trampolim. Talvez ele simplesmente pergunte: palavra, o que você quer ser quando crescer?

E o poema seja uma nova vida que ele inventa, um percurso novo que a palavra tem para percorrer.

Por isso, leiamos poemas. Tenhamos poemas preferidos, como temos filmes e musicas. Demos às palavras a oportunidade de ser um pouco mais do que são – afinal, se nós podemos, por que elas não?

Diego Damasceno escreve às terças. E às quartas, quando o dever o chama

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