filho, o que quero dizer digo do meu

jeito, faça do meu braço o seu mundo

e nascente do meu peito, sem hora,

afora; se saio de mim é pra te achar,

jogo de amor, derradeira chegada,

tesouro espalhado no meu ventre

sabe, não me sei mais sem você, um

não-era-nada-tão-completo, desaviso

sobre a vida, um desarranjo de

destino, vontade ali vontade aqui, só

sinto como uma árvore, ramifico a

ponta dos dedos, todo doar, nunca

secar, sempre sombra, suporte para

tua nuca, para tua fronte a minha

benção e um pedaço de pano

vermelho para o soluço

pudera eu mastigar o mundo, salivar

respostas, engolir ocasos

sou sua rede, seu quarto de dormir,

sua lambança

eu te abro as minhas portas da alma,

sem antes saber que elas existiam,

desbravador da minha última

natureza, maior natureza

digo, de coração esparramado, te

olhando daqui de cima, no meu colo,

da surpresa em me ver fora de mim,

dançando no barulho da tua boca que me suga

e me embebedo no teu prazer

 

*Carmezim publica às quartas

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