Meu conhecimento sobre arte beira o nulo. Às vezes gostaria de saber mais, de entender porque os expressionistas criticavam os impressionistas (é isso mesmo, né!?), por exemplo.

Noves fora, gosto de ter como princípio para apreciar ou não algo que vejo a minha simples percepção. Como com uma música, acho que não preciso saber tudo sobre o autor (às vezes nem saber quem é), também não é necessário classificá-la (samba ou chorinho?) e muito menos conhecer sobre a teoria para gostar. Uso o mesmo princípio para um quadro ou escultura.

Digo tudo isso para contar que no fim de semana tive a sorte de ver oito quadros de Monet, dispostos em duas salas ovaladas, no museu de L´Orangerie, em Paris. Nem vou tentar descrever o que vi porque é impossível, mas me arrisco a contar um pouco o que senti. Transcrevo o relato que fiz a quem me recomendou visitar o lugar.

“Fui invadido por uma tristeza tão gostosa que chegava a queimar por dentro o coração, e fazer coceguinhas.  Os meus olhos começaram a doer e uma hora eu tive que levantar [no centro das salas há uns bancos para que o visitante admire melhor o quadro], porque já não podia mais. Saí de lá com a sensação de que há um sentido na vida e de que a humanidade tem salvação”.

ps: um dia antes desse Monet eu vi a Monalisa e tive a sensação de que ela estava rindo daquele gentio todo tirando foto e se acotovelando para tentar enxergar, de longe, alguma coisa que disseram a todos que era linda.

Ricardo Viel escreve às segundas

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