– Eu pensei um monte, treinei até, mas acho que você não acreditaria no que tenho pra dizer.

– Sim.

– Sim o quê?

– Sim, eu não acreditaria.

– Você é confusa. E bombástica. Parece uma pedra atirada no pára-brisa.

– E você?

– O que tem eu?

– Bem que podia desligar essa TV e colocar alguma coisa pra gente ouvir. Como você quer que eu acredite se você nem a TV desligou antes de começar a falar?

– Pode ser Fogo e Gasolina? Roberta Sá e Lenine. Era o que eu ia te dizer, que nós somos Fogo e Gasolina. Quer dizer, eu ia recitar.

– PelamordeDeus! Da última vez você veio com Roberto Carlos. Que era pra eu imaginar você sentado à beira do caminho, pronto pra partir e não-sei-o-quê-mais-lá. Coloca o som.

Chico Buarque inunda a sala.

– Porra… Por que você gosta de pegar pesado pra me dobrar? Vitrines é demais da conta. E se prepara pra desembuchar logo.

(risos)

– Não ria, não. Chico Buarque é última instância. Tira. Assim eu não converso.

Vamos começar/ colocando um ponto final/ pelo menos já é um sinal/ de que tudo na vida tem fim.

– Você é suicida mesmo. Essa depõe contra você, querido.

– Mas eu gosto da batida. Você não gosta?

– Amo. Você sabe.

(Ela mexeu no cabelo, começando uma trança. Questão de segundos. A senha!)

– Rosa Passos, Você Vai Ver.

– Tá, deixa Rosa Passos tocando aí e pega nas minha costas. Tô com uma dorzinha de pescoço também. Coisa muscular.

– Carinho resolve.

Carmezim escreve às quartas

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