Se tem uma coisa que vão saber da próxima vez é sobre o queijo de cabra com café. É uma promessa.

Há coisas que a gente não quer saber sobre a pessoa que a gente ama, mas se há algo que é preciso saber é isso, que sou doida por queijo de cabra e que ele só funciona de verdade com café.

A última pessoa que me amou não sabia muitas coisas, mas essa, mas essa. Essa é essencial sobre mim. Por isso a próxima vai saber. De preferência, ela vai observar sozinha. Ou vai nascer sabendo que é disso que eu gosto, que assim sou eu, e não outro alguém.

Ou um dia inesperadamente ela vai me contar que reparou “uma coisa engraçada sobre você”, que não é babar quando dorme ou ter a unha do pé esquisita, mas gostar de queijo de cabra com café. E vai me contar isso quando me der a combinação de presente num dia em que eu precisar. Nem precisa gostar do mesmo, porque não sou dessas que tem que ter espelho para amar. Mas vai.

Porque foi num daqueles momentos que que se está em casa em paz com o afeto que o outro chegou trazendo um pacote de tiragostos finos que ganhou no trabalho. E tirando as geleias e patês e coisas sem importância de dentro da caixa disse que veio até um queijo de cabra, mas ele não gostou do cheiro e jogou na lata de lixo antes de entrar.

Corri para ver e lá estava, um coração partido de queijo de cabra. Era eu que estava no lixo.

Nunca mais alguém que não saiba.

Camilla Costa escreve aos sábados.

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