“El mundo cambia si dos se miran y se reconocen” (Octavio Paz)

Sou totalmente favorável à apropriação de ideias alheias. Às vezes não somos capazes de colocar em ordem, traduzir em palavras, um pensamento, uma visão de mundo que temos. Então vem outra pessoa e pimba faz o trabalho por nós.

Foi o que aconteceu comigo sobre a crença no destino. Passei anos e anos tentando entender um sentimento aparentemente contraditório que tinha. Ao mesmo tempo que não acredito que o futuro já esteja traçado, que exista uma mão invisível que mova as peças, creio sim numa força que faz com que eu deva seguir um caminho, que me leva a tomar decisões.

Demorou, mas chegou o dia em que resolvi esse quebra-cabeça. E foi graças a uma ideia alheia.

Assistia eu ao programa Sangue Latino, no qual o escritor Eric Nepomuceno entrevista personalidades da nossa América Latina. O convidado da vez era o escritor e roteirista mexicano Guillermo Arriaga. “Você acredita no destino?”, perguntou Nepomuceno. E foi quando Arriaga expôs a ideia que é dele, mas que agora é minha também e pode ser sua, se você quiser.

“Não sou devoto, não sou religioso e, portanto, não acredito em predestinação. Acho sim que uma pessoa pode ter um destino e fazer com que o mundo se acomode para que esse destino se cumpra. Creio que um ser humano pode ter tamanha força a ponto de fazer as coisas acontecerem”.

Durante esses anos de conflito interno sobre o assunto eu costumava lembrar de uma frase de Caetano Veloso que às vezes me parecia linda e outras vezes um pouco ingênua. “É impressionante a força que as coisas parecem ter quando elas precisam acontecer”.

Pois eu diria então que Caetano e Arriaga falam da mesma força. Força capaz de girar o eixo da terra para que duas pessoas se vejam e se reconheçam.

Ricardo Viel escreve às segundas

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