O cantor tem 17 anos e algumas biografias lançadas.

O jovem jogador, grande promessa do futebol, conquista o campeonato e antes de erguer a taça decreta: fiz história.

O empresário morre e é alçado automaticamente a gênio máximo do século que só acaba de começar.

O corpo do ditador ainda não esfriou e as imagens de sua captura e morte (com requintes de crueldade) já estão disponíveis na rede mundial de computadores.

Que tempos são esses em que vivemos?

É certo que desde a invenção do telégrafo, do cinema, da televisão, do rádio e da internet, se diz que a humanidade nunca viveu época tamanha fugacidade.

Mas não será que a instantaneidade de agora ultrapassou as barreiras do razoável?

Nas redes sociais opinamos sobre tudo (quase sempre no calor do sucedido), anunciamos que estamos em tal lugar, publicamos fotos do que aconteceu um minuto atrás. A velocidade com que o processo é feito é a mesma de sua permanência no universo virtual: vai acontecer, está acontecendo, aconteceu; acabou e já não tem mais nenhuma importância.

Um professor comentava que os historiadores vivem atualmente um dilema. Antigamente havia mais tempo para que se debruçassem sobre um acontecimento. Agora se espera que teorizem sobre o que acaba de acontecer.

Quanto tempo é suficiente para se analisar que tal fato é histórico e saber sua importância?

Penso na propaganda que a Nike fez para a Copa do Mundo de 2010. O lema era: escreva seu futuro. Nenhuma das estrelas da publicidade fez algo de importante no Mundial.

Foi Iniesta, um espanhol meio baixinho, calvo, quem fez o gol que levou a Espanha ao triunfo. Quando no minuto 115 da final a bola chegou aos pés de Iniesta será que passou por sua cabeça que entrava para a história ao vencer o goleiro holandês?

Ricardo Viel escreve às segundas

 

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