Não sei se existe uma enzima, uma substância ou uma reação corporal que nos permita ativar o funcionamento da cuca enquanto falamos, mas que uma coisa está relacionada com a outra, raciocínio e fala, disso estou certo.

Se esse texto fosse falado e não escrito, por exemplo, talvez o final não teria nada a ver com o começo.

O pensamento viaja na oralidade, na expressão das palavras e quando um se dá conta, aparecem ideias que nunca imaginou pensar.

Surpresa?

Aquilo nunca lhe havia ocorrido e se materializou primeiro numa conversa despretensiosa. Por isso muitos escritores levavam gravadores.

Mas será que ela, a ideia, já existia habitada em algum lugar desconhecido e a fala apenas a fez fluir?

Ou ela é apenas formada e formatada no momento da sua expressão?

Uma dúvida que deixo a cargo dessas universidades com muita importância e com pesquisas nada fundamentais.

Ou, melhor e mais efetivo, deixo aos debates de mesa de bar ou às reuniões de amigos, onde se fala muito.

Ou à história oral do mundo, aos filósofos anônimos. Aos tagarelas?

Vítor Rocha escreve aos sábados.

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