País de cultura individualista, a França criou uma lei contra a generalização. No rádio ou na televisão, ninguém pode mais dizer Twitter ou Facebook como exemplos genéricos das redes sociais. Só vale mencionar se a notícia for específica; de resto, considera a lei, é propaganda.

Simpatizei tanto com a causa que antes de saber dela já tinha dado minha contribuição. Cancelei minhas contas de Twitter e do Facebook.

A razão da lei é igualitarista: existem outras redes, porque insistir em citar as grandes? Até porque são empresas.

Minha razão foi personalista: falta de tempo e falta de tato. Disse coisas no Twitter e ofendi sem querer. Passava horas no Facebook (somando alguns minutos a cada login efetuado) e sentia que não passava sequer instantes na companhia de ninguém. Ainda tenho meu e-mail.

Lembro que foi um amigo de minha irmã, mais velho e viajado, que apresentou o Hotmail para mim. Que novidade! Eu era garoto e vivi ali a felicidade explosiva e a apreensão silenciosa dos garotos.

Ter um e-mail era existir na rede. Meu e-mail foi meu primeiro avatar, palavra que nem existia ainda. Hoje os e-mails têm bate-papo com vídeo embutidos, mas a minha lista, pelo menos, é um deserto de nomes em cinza apagado.

Não gosto desses tempos em que ninguém tem tempo de escrever um e-mail, mas todo mundo posta cinco, dez coisas por dia nas redes sociais. Mas dizer que saí do Twitter e do Facebook não quer dizer que saí de tudo (olha a lei francesa aí).

Estou no Goodreads (não confundir com Googlereads). É uma rede social para leitores. Você começa um livro e coloca lá: título, autor, data; número de páginas, língua original, editora; gostou, não gostou, achou mediano; tem até espaço para o ISBN. Aos poucos você registra sua biblioteca e o que fez com ela – leu, não leu, largou na pagina 54. Pode também comentar, escrever resenhas e compartilhar, opinar sobre os livros dos outros.

No Goodreads so tenho um amigo. Mas meus livros chegaram ontem a 31. Uso a pagina de cada livro como um diário: escrevo sobre o que leio para mim, enquanto não vejo a mailbox me dizer: “você tem 1 nova mensagem”.

Diego Damasceno escreve às terças

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