Gustavo e Ana jogam um jogo que só ele gosta e domina.

Gustavo esconde bilhetes nos lugares mais improváveis – como dentro de um maço de cigarros ou no porta-luvas do carro de Ana – na esperança de que ela os encontre e o ame um pouco mais.

O problema é que Ana não tem sensibilidade (é o que diz Gustavo) para entender quando e onde procurar pelas notas de amor. Mesmo com as pistas, é comum acontecer dela não encontrar um bilhete e acaba por jogar fora, por exemplo, um pedacinho de papel que dizia “quer passar o fim de semana na praia?”.

Também acontece dela achar a mensagem, mas não entender o teor. Se é uma poesia, invariavelmente ela pergunta a Gustavo sobre o significado, e isso faz com que ele se questione se quer passar a vida com alguém incapaz de compreender Fernando Pessoa.

Ana até se esforça para participar do jogo, mas é uma tarefa difícil. Primeiro, porque acha a brincadeira boba, infantil. Segundo, porque exige muito esforço para um resultado previsível (assim ela pensa).

Às amigas, ela se queixa de que Gustavo a ama em demasia ou “diz que ama”. Cada vez que encontra um bilhete escrito “te amo” ou “você me faz feliz”, Ana se questiona se quer passar a vida toda ao lado de alguém incapaz de entender o peso da palavra amor.

O sonho de Gustavo é de um dia encontrar, quem sabe na caixa dos seus óculos escuros ou embaixo do vidro de perfume, uma notinha dizendo “te amo, você me faz feliz”. Mas isso nunca vai acontecer, pelo menos com Ana. Ela não gosta da brincadeira dos bilhetes e é totalmente contra a banalização do amor.

Ricardo Viel escreve às segundas

 

 

 

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