Eu, quando estou na Bahia, se pudesse, só comeria pizza.

Porque estou de férias e preciso de toda energia calórica possível.

Porque eu gosto de acarajé e moqueca, mas eu gosto mesmo é de pizza, em especial se for da cantina Il Maneggio, em Vilas do Atlântico, com sua massa de uma finura estilo bolacha de água e sal e o recheio transbordante, ou na Quattro Amici, na Barra, com sua decoração rústica e romântica, ou em uma pizzaria ali na Paulo VI, cujo nome sempre me esqueço, mas onde já comemorei aniversário e onde servem uma SURPREENDENTE pizza de gergelim e alho-poró, e você come com a mão porque não eles têm prato e te entregam até uma luvinha de plástico.

Porque em Porto Alegre, onde moro agora, é dificílimo encontrar uma pizza memorável, exceto, talvez, a tal pizza antropológica que o Cristiano Baldi (escritor, pândego) constantemente comenta, embora nunca convide A Gangue da Letras para saborear a iguaria.

Porque é o alimento com o melhor custo-benefício, facilmente resumido na fórmula F+S .P³/D-1, onde F igual a Fome, S é o Sabor da comida, P elevado ao cubo é o Preço e D é o Dinheiro disponível na sua carteira.

Porque minha mãe cozinha uma pizza caseira deliciosa.

Porque comer pizza me lembra da adolescência, quando éramos em sete e dividíamos 169 fatias em um rodízio e depois sentávamos em uma escadinha irregular, em frente ao posto de gasolina mais antigo do bairro, conversando sobre Basquete, Cinema & as Mulheres Que Nunca Vamos Pegar¹.

Porque é a comida ideal para comer e, ao mesmo tempo, digitar textos como esse, sem correr o risco de derrubar caldinho de feijão no teclado, estupidez que uma vez já cometi, praticamente inutilizando as teclas J, K e L.

Daí que, mesmo idolatrando pizza, mesmo exalando paixão por pizza, mesmo não perdendo uma oportunidade que seja para degustar uma Marguerita ou uma Napolitana, não posso NUNCA me conformar com a tal pizza de coração de galinha, que a Camila Doval (escritora, futura prefeita de Curumim – RS) tenta me convencer de ser uma combinação supimpa.

Eu amo pizza e amo coração de galinha. Separados. É preciso, afinal, impor limites: não sendo assim, vamos entrar em um vazio existencial onde a palavra amor perderá toda o seu sentido de ser².

¹ O trauma, na maioria dos casos, já foi superado.
² O trauma da pizza de coração de galinha, talvez, jamais seja superado.

Davi Boaventura explica as maravilhas da pizza, quinzenalmente, às segundas-feiras.

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