Para Maíra

Comer e comer e saborear o teu nome.

Quando manhã, suspirar doces desejos e grudá-los no espelho do banheiro – eles vão se misturar aos teus cabelos.

Abrir a janela que dá pra praça e que da praça dá pra areia e que da areia dá pra o mar e na areia melar os pés para depois lavá-los.

E escutar Arnaldo Antunes para dar gosto ao dia. “Sujar o pé de areia pra depois lavar na água / Lavar o pé na água pra depois sujar de areia / (…) Respirar / Sentir o sabor do que comer / Caminhar / Se chover, tomar chuva / Não esperar nada acontecer / Ser gentil com qualquer pessoa”.

Acender uma vela amarela para que tu, sorrindo, digas do teu pedido para o nosso futuro, colorido e esperado. Assopre e assim o cheiro da tua boca se enroscará no meu pescoço e na minha nuca e na minha testa e na minha pele.

Na mesa, pudim de leite, condensado pelo nosso desejo em profusão.

Brincar de pega-pega com a distância e sempre ganhar, tudo métrica, rima e nunca dor.

E não traduziremos, questionaremos, enquadraremos o amor, posto que ele é vivo e se traduz, em língua própria, nessa sinfonia irrompendo meu peito pra desaguar no seu.

Para além, o dia não finda: se estende e se renova no meu olhar e no teu, juntinhos.

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