Assassinar nunca é fazer Justiça, ainda que assassinatos estejam previstos dentro de certos sistemas de justiça.

O Estado matar não é crime em certas partes dos Estados Unidos e em certas partes do mundo islâmico.

O New York Times fez o favor de reunir em uma página conteúdo diverso relacionado a história de Malala Yousafzai, 14 anos, baleada por um agente  do Talibã por lutar pelo direito de frequentar a escola. O Talibã considera “obsceno” que mulheres vão à escola.

Só o fanatismo pode defender que uma criança merece morrer porque quer estudar. O Talibã dá o nome de “justiça” ao conjunto de crenças no qual se apoia para cometer esse crime. Tirar a vida de Malala seria, aos olhos do grupo, a mera aplicação da lei.

Não há nada que possa ser comparado a um crime contra a vida (assassinato é um dos tipos). Qualquer paralelo é inadequado.

Porém o ponto de vista que assumem esses fanáticos, essa falsa frieza, essa fictícia objetividade de aplicador da lei me faz pensar em outra garota, Isadora Faber, de 13 anos, que teve a casa apedrejada e sofreu ameaças diversas por ter exposto, atraves de sua conta no Facebook,  os problemas da escola em que estuda, em Florianópolis.

Do ponto de vista do noticiário, são histórias envelhecidas. Isadora prometeu manter seu diário e Malala saiu do hospital mais convencida da importância de sua militância. Recorro a elas pois ensinam que um país submetido à racionalidade de suas leis está entregue à desrazão.

Diego Damasceno escreve às terças

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