Só quero fazer uma pergunta: por que Anderson Silva é o nosso mais novo herói?

Que sociedade é essa que aceita admirar uma pessoa que promete quebrar todos os dentes da boca, bracos e pernas do adversário na modalidade de luta que pratica, garantindo ainda “violência nunca vista”, numa coletiva de imprensa? Por que ainda chamamos de jornalistas as pessoas que escrevem sustentando, promovendo, dando crédito e admirando essas declarações? Tratando inclusive o lutador por seu apelido, Spider?

Por que aceitamos debater que o MMA virasse esporte olímpico?

Além de um troglodita, Anderson Silva é também exemplo de como celebridades e jornalistas constroem, braços dados, o mais novo modelo de sucesso. Depois da luta (ele venceu), Anderson Silva convidou o adversário (diga-se, outro troglodita) para um churrasco. Em seguida, manchetes prontamente dão conta da hombridade do herói, que sabe ser generoso na vitória (que seja apenas nela, ninguém parece ligar).

Ficamos assim: o novo herói é especial porque machuca mais e sabe disfarçar a soberba e a humilhação do outro com declarações que se encaixam perfeitamente no espírito esportivo. O novo herói é célebre não só porque é famoso, mas porque não erra, não perde nem é infeliz. Na cultura das telas burras, já não basta ser perfeito, tem que gritar aos quatro ventos: “eu boto para fuder”.

Assim como Gretchen disse outro dia no reality show de que participa: “eu sempre serei a primeira que rebolou”.

(Como eu sei disso, se não assisto ao programa? Cartas à redação.)

Diego Damasceno escreve as terças

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