Li recentemente trecho de uma carta em que Drummond aconselha Maria Julieta, sua filha, a escrever:

“Escreva minha filha, escreva. Quando estiver entediada, nostálgica, desocupada, neutra, escreva. Escreva mesmo bobagens, palavras soltas. Experimente fazer versos, artigos, pensamentos soltos. Descreva, como exercício, o degrau da escada do seu edifício (saiu um verso sem querer).  Escreva sempre, mesmo para não publicar. E principalmente para não publicar. Não tenha a preocupação de fazer obras primas; que de a muito já perdi, se é que um dia a tive. Mas só e simplesmente escrever, se exprimir, desenvolver um movimento interior que encontre em si próprio sua justificação…”

O conselho de Drummond de certa forma responde a pergunta que todo escritor já teve que enfrentar: por que escrever?

Quem para mim deu a melhor, ou pelo menos a mais poética, resposta para essa indagação foi Gabriel García Márquez. Gabo disse que escrevia para que os amigos lhe quisessem mais.

Não sou escritor, mas semanalmente arrisco umas modestas linhas neste espaço. Meu objetivo com elas é, de certo modo, egoísta: escrevo para tentar me entender. Com meus textos busco – quase sempre inutilmente- espantar fantasmas, vencer a solidão e tornar menos terrível a existência (a minha).

O singelo conselho de Drummond me tocou enormemente talvez porque quero acreditar que escrever, sem preocupar-se com a qualidade e se será lido por alguém, tenha uma serventia: a salvação.

Ricardo Viel escreve às segundas

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