da primeira vez foi terrível,
porque eu achava que morrer era o fim.

passada a dor e a confusão
percebi que a vantagem era que com o fim
surgia outro começo,
e que esse poderia ser desenhado por mim.

minha segunda morte já foi menos traumática;
não pela dor – essa até hoje não aprendi a amenizar-,
mas pela intuição de que, como da primeira vez,
minha história não acabaria assim.

Já morri tantas vezes
que tenho até medo de estar brincando com coisa séria;
mas continuo fazendo.

Quando vejo que já não dá mais,
que escolhi um caminho que leva a um muro sem portas,
respiro fundo, fecho os olhos e morro;

deixo o fogo entrar,
aos poucos vou sendo consumido
e quando tudo passa
desperto de novo

vivo (e vivo)

e volto a escolher caminhos,
confiante de que desta vez farei a eleição certa;
mas com a tranquilidade de que se for preciso
voltarei a morrer-me,
para nascer-me outra vez.

ricardovielescreveàssegundas

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