O que é que tem enterrado aqui, eu lhe pergunto, mas agorinha mesmo não sei se é caso de estar enterrado, ou foi uma coisa que jogaram no ar e se espalhou feito perfume de quenga sem meios de voltar pro vidro. Porque alguma coisa tem, não é não, pras loucuras todas acharem que aqui encontraram bom porto e podem se alastrar em liberdade.

Pois me diga se tem cabimento esses dois saírem lá de cima e vim descendo muita légua de estrada, fumando as coisas que dizem que fumam, eu vi no Bocão, mas não foi em nenhum lugar outro que eles pararam fazendo ginástica no meio da avenida onde mal se vê o chão de tanto carro, foi justamente aqui. E por isso eu acho que é o ar, não pode ser coisa enterrada.

E talvez nem é só aqui, tenho pra mim que foi por essa Bahia inteira, porque onde é mais que se via aquela história da mulher que fingiu de morta com a ajuda do homem que ia matar ela por dinheiro, e na foto defunta, que era a prova, pra mim que ela tava até com cara de rindo por baixo do pano, não aguentou nem ficar séria, ri ri, eu acho é graça. Em nenhum lugar outro se vê isso não.

E tem muitos casos que eu podia contar, mas me esqueci agora. Lembre um?

Mas você acha talvez que seja a gente mesmo que quer ir juntando tudo pra se sentir diferente e valorizado, mesmo que seja com coisa de doido e de absurdo, sendo que o que falta é conhecimento das esquisitices que se passam nos lugares todos do mundo? Ô, se fosse isso ia ser triste, ia não?

Tatiana Mendonça escreve às sextas

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