Por mais que o mundo ande, mesmo que vá tão distante que mal se aviste, sempre haverá uma santa que chora, padecendo tragédias em lágrimas de sal ou de sangue, de acordo com a gravidade da situação. Meninos deixarão de dormir por medo, mulheres farão promessas, homens se penitenciarão por ter desistido de crer quando em verdade estavam tão próximos do milagre, os velhos dirão: de novo. De todos os cantos chegarão filas.

A santa chora numa agonia indefinida em que cabem todas as dores. Lamenta não ter os meios de mudança. E segue olhando eternamente como quem roga a Deus, enquanto rogamos nós num sonho qualquer de que seja de outro modo, menos deste.

Os cientistas, examinando com pinças e microscópios, chegaram dizendo que foi armação, e os fiéis, renovados em sua força, perguntaram se ao menos temiam a Deus. Eles retrucaram mostrando em minuciosos relatórios como foi feito o buraco e introjetado o líquido, mas como foram incapazes de responder se são ateus, arquivaram-se como provas os milhares de testemunhos.

Tatiana Mendonça escreve às sextas

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