A felicidade não é bonita, ela é apenas a felicidade. Do mesmo modo, não curto, em nenhum dos dois sentidos, certas piadas contra Marcos Feliciano. Não importa como se veste o adversário.

Chamam-no de “passiva”. Riem porque ele deve fazer a sobrancelha. Espantam-se que um pastor supostamente gay seja contra gays.

Na mesma rede social em que vi a maioria desses comentários (ouvi outros pessoalmente), um amigo disse: “às vezes, rir é nossa única arma”. É um resumo inteligente da posição da maioria dos indignados com a eleição de Feliciano para a CDH. Odiamos isso, mas estamos tão distantes de Brasília (mesmo os que moram em Brasília sentem isso), que não sabemos como contra-atacar efetivamente.

Mas o humor, como toda arma, tem efeitos colaterais. Ainda: não basta mirar, tem que sabre atirar. Há muita gente que apóia Feliciano. Há muita gente contra ele. E há mais gente ainda que está meio à parte da discussão e que merece ser atraída para ela. É para esses que, acho, devemos falar.

Antes de rir, é melhor argumentar. O que é bem fácil, basta copiar e colar o que o deputado diz ou reescrever as acusações que ele sofre.

Não quero crer que as piadas resultem da falta de crença na mudança. É ruim que nas redes sociais elas compitam com os argumentos. A outra razão para isso é que é nessas mesmas redes que têm nascido outras formas de protesto e interação que podem levar, de fato, à deposição do deputado de seu posto.

Diego Damasceno escreve às terças

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