a noite está tão escura, já não tenho chris ao meu lado, estou sofrendo. hoje passei o dia feito mendigo sem ter pra onde ir, nem adiantava ficar parado. o que queria era estar longe de mim, ou perto dela.

eu imaginava sem dizer a ninguém que chris era meu amor de livro, minha velhice acompanhada, minha razão de sobreviver às tardes de terça-feira. queria lhe escrever poemas, cantar serestas ou qualquer coisa assim fora do tempo.

antes dela ir embora de vez, falei das nossas fotos, implorei que voltasse, quase chorei. mas chris só sabia me olhar com cara de desprezo enquanto esperava o café.

agora sou obrigado a espiar só essa noite sem lua, a ouvir música triste enquanto procuro outras piores, a amargar vida ingrata antes da morte certa.

ela sabe. e não se importa.

Tatiana Mendonça escreve às sextas e continua a série inspirada nas buscas que levam ao Purgatório 

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