Em um site americano encontrei a única expressão que conseguir definir Nalanda: “hot mess”, cuja tradução mais aproximada me pareceu ser “bagunça sexy”. Que linda era essa menina, como se arrumava mal.

Nalanda tinha tudo para dar certo, ser a de parar o trânsito, a que chama a atenção dos modernos, dos clássicos, dos aspirantes. Tem aquele sorriso, aquele corte bagunçadinho no cabelo, aquele nariz. Usa um batom vermelho no tom da moda, umas roupas com transparências de leve que se vê nas revistas. Nalanda até sabe o que comprar. Só não sabe como vestir.

Ela usa o vestido quase sofisticado com a bolsa barata quase como se faz nos seriados de TV, mas de um jeito que não funciona bem. Meus amigos não entendem – a mulher tem que se arrumar realmente mal para ser considerada mal arrumada para a maioria dos homens. E tem que ser muito diferente do estilo que ele reconhece como sendo das mulheres que gosta. Então Nalanda era considerada, por eles, uma gostosinha, bonitinha, gatinha muito legal. E ela é. Mas também é hot mess. Uns dias mais mess, outros dias mais hot, nunca menos do que isso e nunca mais.

Mas Nalanda tem um jeito que faz a roupa dar certo, mesmo quando está com cara de cansada e coloca só um batom rosa chamativo para dizer que se maquiou. Tem uma coisa que me faz não tirar os olhos dela, quanto mais eu enxergo as imperfeições estilísticas. Quero cuidar dela, quero fazer um extreme makeover, quero ser o namorado que a ensina sutilmente a se vestir.

Nalanda nalinda (até poesia eu faço por você). Como é possível? Sou um homem de aparências, um leitor clandestino do Sartorialist, quase um dândi que tenta não dar muita pinta para não afastar as mulheres. Mas tudo que dá errado no seu guardarroupa dá certo no meu coração.

Sei de você como naquela nova foto do seu perfil no Facebook, que está mal iluminada e enquadrada e na qual você tem maquiagem demais, uma maquiagem que não te deixa vulgar – longe disso – mas que é brega e não faz bem ao seu rosto. Todas as suas tias do interior comentaram dizendo que você está linda e chique e eu só pensava: aprende a se maquiar, meu amor.

Mas paro de pensar nisso – e em qualquer outra coisa, Nalanda – quando de repente me lembro do seu perfume. Não há nada de errado com o seu perfume.

Camilla Costa escreve aos sábados.

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