José,

Queria que você soubesse que não é por causa da sua mãe, talvez um pouco. É mais por mim. E por você também. Isso não está tomando rumo nenhum e decidi que chegou minha hora de pegar um caminho, mesmo que agora esteja tão perdida que nem saiba se há jeito de achar, nem mesmo em vigília de sonho.

Sei que essa minha agonia de não encontrar pouso vai passar um dia, mas não é com você. Preciso que minha alegria fugida volte e agora não vejo de jeito nenhum pra onde ela foi. Estou de novo aflita de não poder ter futuro, parada no exato lugar, meus medos todos juntos multiplicando de ficar só para sempre, mas assim mesmo eu vou.

Procure aquela moça que eu não vou dizer o nome, aquela que fica piscando para você na minha frente. Sei que no fundo você imagina sua felicidade ao lado de uma loira de cabelo bem liso, mesmo que seja de farmácia e de chapinha de salão – aquilo nunca foi verdadeiro.

Você está agora balançando a cabeça como quem diz que me ama, mas o caso mesmo é que a gente gosta de cultivar sofrimentos, regar até que cresçam e tomem conta de tudo, e ficar assim igualzinho para todo o sempre. Mas isso não é jeito de viver, José.

Tatiana Mendonça escreve às sextas

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