Juro que fiz um esforço para escrever hoje. Assisti a uns vídeos e li uns posts polêmicos de blogs para ter assunto, apertei com força um maço de crônicas de Rubem Braga contra a testa, pensei numa história fictícia sobre um tempo ruim e outra sobre um tempo bom. Mas não saiu.

Esta semana, saindo do trabalho, passei por um homem sentado com a cara do fim do dia. Ele estava sozinho na mesa do restaurante, na lateral ali onde àquela hora já não tem quase ninguém mesmo, tomando uma Coca-cola em uma tulipa de cerveja.

Foi o cansaço compartilhado, certamente, o que me fez dar um significado qualquer a este senhor, que doravante chamaremos sempre de O homem da Coca. Foi o cansaço – e a tulipinha de cerveja ensaiando um happy hour auto imposto que já começou perto de acabar, porque a Coca-cola salvaguardava o dia de trabalho de amanhã.

Não decidi naquele dia, mas não vou trabalhar hoje, nem no trabalho do coração, que é este Purgatório (mentira, né. Aqui estou eu, com minha tulipinha).

Não quero ser O homem da Coca, mas sei que, mais dia menos dia, somos irmãos. Desejo a ele um feliz Dia das Crianças, onde quer que esteja.

Camilla Costa escreve aos sábados.

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