Um dia eu vou morrer. Um dia você vai morrer. Tenho certeza porque nenhum homem na terra, que já tem 4,5 mil milhões de anos, viveu mais que 130, ou 120. Certamente não mais que 120, o que dá mais ou menos 43 mil dias se você tiver sorte, ou azar, ou sorte. É muito. É muito pouco.

É possível que ela venha de sobreaviso ou de rompante. Estatisticamente, não saberia dizer qual é o padrão, mas apostaria na vitória do de uma hora para a outra. Seu bisavô morreu dormindo, sua bisavó sofreu meses numa cama sem esperança de cura. Eles passaram dezenas de anos numa casa sem se falar direito, mas talvez ainda assim se amassem.

Espero que eu morra antes de você, para não ter que sofrer a dor sem nome. Mas em qualquer caso, filho, o que eu queria te dizer é que é importante viver antes disso. Viver antes de estar morto.

Essa é uma coisa difícil de lembrar, acredite. Por isso quando você for grande, quero que faça um exercício simples. Antes de tomar uma decisão importante, pergunte à sua finitude que caminho seguir e ela lhe dará boa resposta (talvez eu tenha copiado isso de algum livro de auto-ajuda, mas funciona mesmo assim).

Mas o principal, mais que lembrar da vida e da morte, é carregar o infinito dentro de si e acalentá-lo como a um bebê que dorme. Só assim é possível. Isso é tudo que eu sei.

Tatiana Monotemática escreve às sextas

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