Assisti um filme triste essa noite e lembrei de você. E me deu uma dor tão chata por todas essas coisas que eu nunca vou te dizer porque elas são absolutamente desnecessárias.

Como aquela coisa que diz que você sempre me faz sentir pouco apreciada, mesmo que eu saiba que sou importante pra você. Esse é um monólogo que não tem começo, nem fim, nem pé, nem cabeça. E esse documento nunca será editado e enviado, então começarei por aqui mesmo. Como você me faz sentir insuficiente, mesmo que eu saiba que sou importante pra você. Talvez muito importante, até. Talvez só medianamente. Eu podia começar bem do começo, mas começar do começo é romancear as coisas e ver nelas um significado que elas não tiveram. Disso eu teria vergonha.

(…)

E eu só pensei em tudo isso porque terminou o filme e eu me senti terrivelmente sozinha. E sempre que me sinto terrivelmente sozinha eu penso em você. E eu procuro a sua companhia e você sabe, como no dia em que eu te liguei às 3 da manhã só para perguntar como estava o tempo aí, mas não te encontrei e horas depois você me deixou uma mensagem querendo saber se eu estava bem. Eu te procuro no desespero e você a mim. Depois a gente quase se esquece. É assim que somos.

Mas agora me dei conta de que não sei penso em você depois do filme por querência da sua companhia ou porque me lembro que você também me faz sentir sozinha, feito aquele outro filme do menino que andava no barco com o tigre, mas depois a gente não sabe mais se o tigre realmente existia e se realmente interagiu com ele.

Tem horas em que o tigre parece real, como quando a gente dança certo quando está dançando errado e parece que só de respirar um no outro estamos dizendo algo que não sabemos exatamente o que é, mas fica entendido assim. Dias depois o tigre não existe e sou só eu naquela imensidão de oceano Pacífico sozinha, terrivelmente sozinha.

Camilla Costa escreve aos sábados.

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