A revoada de PASSARALHOS que assola a mídia impressa brasileira é um imenso mosaico de porciúnculas questões, que percorrem os mais diversos campos – econômico, semântico, litúrgico, ecumênico, estrogonófico e outras proparoxítonas – e se alastra pela sociedade civil brasileira difundindo conceitos arraigados no âmago da formação multidisciplinar do nosso povo, horizontalizado os preconceitos obscurantistas que derivam do multifacetamento cultural da miscigenação endogenética a que fomos submetidos por ininterruptas gerações de complacência e conformismo obnóxio.

Traduzindo esse parágrafo CAPILÉTICO para o POPULACHO, emulo o Barão de Rotschild após a batalha de Waterloo: “Quando há sangue nas ruas, demita uma dezena de jornalistas. Depois vá na Ribeira tomar um sorvete. Para evitar o stress, adquira bens.”

Não me abandone, não me desespere, nem se perca nos descaminhos confusos das falsas referências desse texto. O que eu não consigo deixar claro para vocês é a realidade que sai estampada semanalmente nas magazines da vida: A verdadeira crise do jornalismo gazeteiro é a incapacidade de compreender que não é a receita que faz o bolo ficar gostoso. O sabor vem dos ingredientes e da competência de quem bate a massa.

Em uma semana tivemos três circunstâncias que aferem a tensão derivada do distanciamento público-enfoque-perspectiva. No primeiro caso, a revista TPM – Trip Para Mulheres – estampou uma falsa capa com a carismática Alice Braga purpurinada e cheia de pose, com chamadas que ironizavam o arquétipo das revistas femininas vendedoras de ilusões. Por dentro, a capa verdadeira com a mesma Alice, agora no gênero despojada-bem-resolvida-blasé. Houve quem louvasse a espirituosidade da publicação. Eu, cá com meus botões, compartilho da opinião sensata de Juliana Cunha sobre o caso: A grande maioria das mulheres não nasce, nem vive, como a Alice de uma capa nem da outra. Estão todas num limbo imaginário que não se encaixa nestes mundos, e vivem a sonhar com o passaporte que as transportem para estes mundos mágicos. Vender tal ilusão é o que alimenta o mercado editorial destas revistas.

Reinventando-se para sobreviver nesta selva de papel couché, a edição brasileira da Playboy – a mais icônica das revistas masculinas – parece ter abandonado de vez o combo fake-plastificado de subcelebridades siliconadas, editorialismo bombado com masculinidade suplementada artificialmente e paraíso de SISTERS e assistentes de palcos depiladas a laser. A edição nova traz um resgate da velha playboy, ousada, moderna, com mulher de verdade, em carne, osso e pelos. Parte do público masculino – geração criada com SUSTAGEM, açaí na tigela e MALHAÇÃO no fim de tarde – ficou com repulsa, quase desmaiou diante do choque de deparar-se [mesmo na revista] com uma mulher não-photoshopada. Mas Xico Sá, o JEDI DO CARIRI, deu voz aos machos-jurubebas que, em vias de extinção, ainda gorjeiam pelas relvas púbicas aqui e alhures. Venceremos.

E por último, o pior. A revista Capricho – um baluarte da comunicação feminina juvenil por décadas – que, vez por outra, anda metendo os pés pelas mãos, publicou um artigo apócrifo com um compêndio de lições de machismo, misoginia e preconceito travestido de dicas[?] para garotos [criados com SUSTAGEM e açaí na tigela] diferenciarem[?] garotas para ficar X garotas para namorar.

Na condição de pai de pré-adolescente [pra mim ainda é criança, mas ela se chateia se eu tratá-la assim] que paga assinatura da referida revista, tive o impulso de cancelar o serviço na hora. Recuei. Entendo que a educação que minha filha recebe irá se sobrepor a este tipo de doutrinação absurda, condicionamento comportamental que jamais deveria ser referendada por uma publicação deste porte. Mas o artigo desnuda a incapacidade dos editores de enxergarem a relevância deste tipo de matéria na perpetuação de conceitos tão obsoletos.

Agora que já encontramos GENINHO, é hora da lição de moral, criançada:

Existem blogs e revistas para ficar, e blogs e revistas para casar. No dia dos solteiros [por que o povo inventa essas coisas?] faça a escolha certa.

Enquanto os outros passaralho, o Purgatório passarinho.

 

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