Nunca dantes na história deste país houve tantos protestos, sob os mais diversos temas, sob as mais diferentes bandeiras – ou sob nenhuma – e vocês estão caducos de ouvir e ler sobre isso. Se não o fizeram, podem buscar excelentes referências nessa mesma GAZETA ON-LINE PURGATÓRIA, onde há diversos textos da mais irrepreensível ESTIRPE sobre essa PRIMAVERA CENTAVIANA que assolou as ruas da Pindorama.

E não, não voltarei À VACA FRIA. Mas é que, enquanto degustava um cremoso licor de cajá nos preparativos para o sabático feriado junino, fizeram-me uma encomenda temática para a crônica desta semana. Sim amigos, sou adepto do MECENATO, e aceito discorrer sobre qualquer tópico – desde que a sugestão venha de amigos próximos [são poucos] e que eu possua algum domínio – ou melhor, alguma FAMILIARIADADE EMOCIONAL – com o assunto, posto que não domino, sequer e ainda bem, a minha própria vida.

Tal efeito se acentua mais no caso de hoje, pois a conversa surgiu no furor para uma viagem de descanso – de onde, ironicamente, voltei deveras cansado porém, renovado. Mas é que, justamente falava para Salma, minha co-artificie nas platitudes desta semana, o quanto senti falta de uma bandeira que de fato me simbolizasse, que exprimisse o que me aflige – não de forma peremptória – que me motivasse a bradar: Essa PEC eu referendo, essa causa me representa.

E qual DEMANDA seria essa? Depois de três parágrafos de BOLODÓRIO SARAMANDISTA revelo: ANISTIA TOTAL E IRRESTRITA aos adeptos da INDOLÊNCIA RELACIONAL.

Calma meu povo, que o termo foi inventado por mim e já explico: Pessoas que, como eu e Salma – quase balzaquiana – não possuem mais ÂNIMO para enfrentar as INTEMPÉRIES de um relacionamento, que estão fatigadas de andar por um labirinto sem encontrar uma saída confiável, com aquela impressão de dejàvu ao passar pelas paredes estreitas e que se apertam, mais ainda, não sentem falta deste processo contínuo e, geralmente, inútil, viemos a público esclarecer os principais pontos da nossa causa, ainda sob efeito do quentão de D. Maria de Brejões:

a)      Como disse o mestre Gil, aniversariante da semana: “O verdadeiro amor é vão, estende-se infinito, imenso monolito, nossa arquitetura”. Traduzindo: Não tente nos entender, o atrativo do mistério é a incompreensão e se você quer decifrar algo TENTE UM CUBO MÁGICO;

b)      Não estamos atrás da pessoa certa. Pelo simples motivo de que já sabemos que a PESSOA ERRADA somos nós. Ou seja, tentar agradar, ludibriar, utilizar técnicas ultrapassadas de sedução não vai surtir efeito. Não queremos ser conquistados, apenas tocar o barco em frente, se quiser embarcar não faça barulho nem dê palpite;

c)       Estamos bem sozinhos, gostamos de nossa vida como está AGORA. Isso inclui pacote completo: Nossos amigos chatos, nossas manias irritantes e nossos anseios escalafobéticos;

d)      Não entre em qualquer dividida com a gente por mais viável que ela possa parecer; qualquer concessão deverá ser negociada previamente: Passamos da idade de surpresas, é o preço que se paga pela casmurrice de anos solitários;

e)      Acordar chamando de MEU BEBÊ, colocar apelidos como MÔ, BINHO E INHA é considerado CRIME HEDIONDO. Falar com a voz INFANTILIZADA e  despedir-se no telefone com “desliga você” são crimes INAFIANÇAVEIS.

Diante do exposto, nós do MOVIMENTO CORAÇÃO LIVRE, por unanimidade consensual irrestrita de seus dois membros tornamos público nosso repúdio a toda e qualquer tentativa de BULLYING por parte de casais apaixonados, campanhas publicitárias e qualquer outra peça que ridicularize a opção legítima pela INDOLÊNCIA RELACIONAL. Não somos AVESSOS a novos envolvimentos amorosos, desde que eles estejam de acordo com a importância dos vínculos afetivos pré-estabelecidos. Atingimos um estágio onde percebemos que estar sozinho não significa necessariamente solidão.

Se for para ter um romance, que seja PADRÃO FIFA. Aceitamos ocupar nosso coração, mas sem vandalizar nossos princípios.

Alex Rolim funda movimentos e escreve manifestos às quintas

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