Distração é a música meditativa de Gilberto Gil.

Distraídas estão as crianças que se escondem, rindo com uma sinceridade que é como se suas vidas dependessem disso – quando é a alegria que depende, e por isso talvez a vida dependa também.

Chico Buarque musicou um alarme, em Uma menina: a distração é um problema social.

Distraído é o homem parado na faixa lendo um texto em voz alta, que eu tomei por maluco, mas não era.

Tropeço não é distração; tropeços são calçadas com as vergonhas descobertas.

A distração é um fenômeno do tempo; há um filme que define onde termina a distração e onde começa a contemplação. Talvez ele se chame Spiritual voices (1995).

Distrair-se não é fingir que não se conhece o complexo; é fazer parte da paisagem.

Amar distraído é diferente de distrair-se como um ato involuntário de amor.

Manoel de Barros passou a vida atento ao desejo de envelhecer distraidamente.

E é por isso que eu detesto esse excesso de vida computadorizada que nos rouba a atenção e nos deixa sem tempo de nos distrairmos.

Diego Damasceno escreve às terças