Ele sentiu saudades de mim e fui fria. Ficou contando da primeira vez que a gente se viu, como se eu não estivesse lá, como se precisasse explicar para a vó entender a novela. O que queria mesmo era dizer como desde ali ficou encantado, mortalmente, pra toda vida. Só pude olhar para o relógio para ver quanto tempo tinha passado.

Reparou, perguntou se estava com pressa. Acenei que sim e ele quase chorou. Homem apaixonado é pior que mulher, não tem cristo que aguente. Então fiquei, para que não saísse por aí dizendo que eu era insensível, e eu era.

Que tinha visto nossas fotos no computador, das viagens, daquela vez que a gente foi pra praia e choveu. Disso eu não lembrava. Se tivesse notado o sinal, evitava o desperdício.  Aceitei o café pensando no tamanho da xicrinha do expresso, mas como demorava.

A lamúria seguiu interrogativa, o que me cansava mais, por exigir minha participação. Era uma única pergunta ganhando variadas formas. Como é que um amor acaba?  Se eu tivesse coragem de responder a verdade, teria que dizer que o problema era que nem tinha chegado a nascer.  Entre um clichê e outro, fazia cara de quem aceitava o mundo como ele é.

Mas quando a conta chegou, eu fiz questão de pagar.

Tatiana Mendonça escreve às sextas e inicia uma série inspirada nas buscas que levam ao Purgatório 

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