* A equipe de O Purgatório está de férias até o dia 8 de janeiro. Até lá, republicaremos diariamente uma seleção dos melhores textos de nossos colunistas ao longo deste ano. Bom fim de ano a todos e até 2012!

Narcolepsia cinética – Mal que condiciona o paciente a dormir profundamente em qualquer circunstância de movimento.

A narcolepsia cinética foi observada pela primeira vez  na década de 60, pela equipe de pesquisadores do Professor Y. Gagarin, do Centro de Estudos Experimentais do Sono, em Moscou.

Inicialmente, a manifestação anormal de sonolência em meios de transporte foi observada em raros pacientes e atribuída ao estado de quase hibernação do organismo humano provocado pelo rigoroso inverno russo.

Na década de 80, pesquisadores da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, detectaram um aumento exponencial no número de pessoas atingidas pela condição, que foi então considerada uma anomalia causada pela privação excessiva de sono.

Nesta época, a “narcolepsia variante”, como era conhecida, foi associada ao consumo de drogas recreativas e estimulantes diversos.

Uma corrente de pesquisadores considera, atualmente, que a narcolepsia cinética pode ser o resultado de uma síndrome que atingiria os mecanismos que ativam a glândula pineal, tornando-a sensível ao movimento regular.

Locomovendo-se a mais de 20 km/h, a glândula pineal secretaria mais melatonina, fazendo com que o indivíduo seja acometido por um torpor incontrolável. Em casos crônicos, ele pode chegar a dormir profundamente em questão de segundos – e até sonhar – quando viaja de pé em um vagão de metrô lotado.

O endocrinologista americano Gregory Laurie nota que, apesar do sono anormal durante o movimento, os narcolépticos cinéticos não costumam sofrer de insônia nos horários costumeiros, o que sugere que a condição não desregula completamente o sono.

Por causa disso, a doença ainda não é universalmente aceita pela comunidade médica, e abundam explicações mais amenas para as possíveis causas do fenômeno.

Infelizmente, os indivíduos que sofrem do mal, impedidos de apreciar paisagens em viagens de carro, conversar com seus pares no ônibus e constantemente acometidos por profunda desorientação ao acordarem cinco estações de metrô depois de seu destino, continuam sem respostas.

Por sua raridade, a síndrome, ainda sem diagnóstico e tratamento definidos, foi descartada como causa de acidentes de trânsito.

Camilla Costa escreve às quintas

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