O que você tem?, perguntava, mas o certo era O que é que te falta?, o que, como se vê, é o exato oposto. De um modo ou de outro, a mudança era desnecessária, não teria os meios de responder. Sabia, não nitidamente, que era um cansaço, sem causas específicas, um desalento de que tudo sempre volte a se repetir, mesmo que eventualmente finja sem muito talento ser outra coisa.

E a crença generalizada de que esse contínuo vai dar em algum lugar, como se o progresso fosse algo imposto por lei e não mais um dado insignificanate do mundo. Pior seria ter que abandonar tudo só para voltar ao exato ponto da partida, fingindo renovada certeza, o que, por dado concreto, nem mesmo existe.

O e-mail dizia Buen día, cualquier resposta, e pensou que fosse só isso, já estava a teorizar sobre a validade do nonsense como único caminho possível, mas no fim, em anexo, tinha um curriculum. Primeiro o emprego, depois as causas. Mas como dizem os escritos, todos que tomaram um rumo antes do outro voltaram para os consertos.

Tatiana Mendonça escreve às sextas

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