Pouco antes da eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, Antonio Carlos Magalhães e outros da sustentação ao governo militar provocaram o racha do PDS. O objetivo deles era compor com o PMDB e garantir a própria sobrevivência no pós-redemocratização. Em seguida, os mesmos fundaram o PFL, atual DEM. Na última semana, Gilberto Kassab repetiu o gesto dos criadores do seu ex-partido e anunciou que registrará o PSD.

A semelhança não é mera coicidência. Em meados dos anos 1980, o Brasil vivia uma renovação de quadros políticos. Os homens que governaram o país durante a ditadura começaram a se retirar para ceder espaço a líderes da oposição ou ex-aliados mais jovens, como era o caso de vários dos fundadores do PFL. Agora, vide o fim da presidência de Lula e o ostracismo de Serra, essa outrora nova geração está cedendo lugar para outra ainda mais nova. Verdade que o DEM possui uma série de lideranças jovens, como Rodrigo Maia e ACM Neto, mas muitos deles conquistaram o próprio espaço na condição de representantes de grupos familiares em decadência e, portanto, ligados à conjuntura que está sendo superada.

Nos anos 1980, a transição geracional coincidiu com o fim do bipartidarismo, o que fez com que os vários grupos políticos se reacomodassem em múltiplas novas siglas. Desta vez, a transição ocorre sem mudanças institucionais, o que fará com que a disputa entre novos e velhos personagens aconteça, ao menos inicialmente, dentro dos partidos. No ninho tucano, Serra dá sinais de resistência ao fortalecimento de Aécio Neves. No PV, Marina Silva está em disputa aberta com a cúpula. Se eles promoverão rompimentos ao estilo Kassab, só as condições futuras poderão responder.

O PFL, apesar da recente decadência do DEM, influenciou fortemente os rumos do Brasil desde o fim do governo militar. Agora, assim como fizeram os políticos de meados da década de 1980, a nova geração terá que definir como pretende se posicionar na política e lutar por mais espaço.

*Pablo Solano escreve às terças

Anúncios