No dia seguinte, uma segunda-feira, ele veio falar comigo no MSN.

– Como foi o fim de semana?, perguntou, e eu não acreditei.

Desafiei e perguntei de volta.

– Foi bom. E o seu? Se divertiu?

– Foi interessante – Que resposta mais descarada.

Quem nunca tentou acalmar a própria raiva rindo da mais pura incredulidade, que atire a primeira pedra. Ri na cara do computador como quando preciso jogar um copo de água fria na panela de macarrão porque a água fervendo começa a transbordar. Não funcionou. Com o macarrão eu também ajo sempre quando já é tarde demais.

E aí ele disse que sentiu saudades de mim. Que sentiu. saudades. de mim. Durante o fim-de-semana em que ele havia acabado de passar dormindo com uma semi-amiga minha, hospedado na casa de outros amigos meus. Foi o momento em que decidi não jogar mais o copo de água fria.

“O que você acha que eu sou?”, eu disse. “Não sou sua amiga, não quero ser sua amiga.” Por mim água da panela queimava era tudo logo.

Me lembrarei da satisfação de, ao menos desta vez, conseguir dizer na hora tudo o que eu queria. Era como um bom script cinematográfico de briga.

– Você acaba de chegar da cama de outra pessoa. Eu sei e você sabe que eu sei. Não diga que teve saudades de mim. Isso me machuca, me irrita e me confunde.

E na verdade, eu o entendia. Isso é o que ninguém conta sobre a empatia, a parte chata. De vez em quando é difícil se colocar de volta na sua própria pele e lembrar que a sua lealdade tem que estar do seu próprio lado. Repassei a lista de razões pelas quais pode mesmo ter sido um tanto desconfortável para ele a viagem romântica de fim de semana. E de repente pareceu que ele estava falando a verdade. Ele realmente sentiu alguma saudade de mim. Tive uma pena inoportuna de nós dois.

– Eu sou idiota. – ele disse, quando terminei meu monólogo bem improvisado.

– É, é mesmo.

Lembro de ter saído do MSN e de casa. Provavelmente chorei um pouco no quarto, arrumando qualquer coisa na bolsa ou no cabelo para sair. Não lembro bem para onde fui.

Camilla Costa escreve as quintas-feiras.

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