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“Quem foge da saudade
Preso por um fio
Se afoga em outras águas
Mas do mesmo rio”

Saudade

essa escopeta apontada pra o meu peito desde quando o seu cheiro sumiu de casa e não teve quem fizesse a terra voltar pro eixo, samba de tantos devires, solidão: essa pessoa torta da minha existência

súbito desagrado o movimento sempre indo, sempre em frente, volto ao ponto do que era dois e passou a caco quebrado, e Paulinho Moska me dizendo Saudade a luz que sobra da pessoa

se desandei, meu bem, culpa única exclusiva only sua porque deixastes a porta por fechar pra que eu visse o calcanhar deixar o frame, sumisse sem fumaça, nu e cru o desatino de não poder viver só entre quatro, cinco, seis, dez paredes. Ou sem

me materializo nesse sem que não tem – fim

e de nada adianta a vitrola, a capa de chuva, as folhas de papel rascunho, a sua mania de máquina de datilografar, os lances de escada, suco de caju: se me desorientei dentro desse filme de amor e ausência com tantos mundos seus é porque perdi o meu quando você deixou a porta entreaberta

Saudade

essa escopeta carregada engatilhada apontada pra o meu peito

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